Sunday, June 15th, 2008
O novo filme de Shyamalan e os microfones “ocultos”
Assisti ao último filme de M. Night Shyamalan (o M é de Manoj pra quem teve essa curiosidade como eu), Fim dos Tempos. Sempre fui bastante fã do diretor (ok, sempre não, desde o Sexto sentido, como todo mundo). Corpo Fechado e Sinais são ótimos, e a prova de que o diretor indiano é muito mais do que “apenas” o diretor do filme da criança que vê pessoas mortas.
Dele, só não gostei de “A vila”: é uma lenga lenga sem fim, o final super-estimado é uma droga, e aquela cega é a cega que mais enxerga no mundo. O kid do Hoje é um bom dia fez a melhor crítica de todos os tempos sobre esse filme, que ele define magistralmente como: uma comédia romântica européia dos anos 70, filmada toda em câmera lenta, que alguém alugou antes de você e gravou de sacanagem, por cima da fita, três ou quatro imagens de monstros. Leiam e divirtam-se.

Personagem de A Vila com a capa de chuva igual a do pessoal que olha as cataratas do barril no desenho pica-pau
Ah sim, quanto a Dama na água, eu não assisti ainda, portanto não tecerei críticas a respeito.
Voltando a falar sobre Fim dos Tempos, no filme, as pessoas do nordeste dos Estados Unidos começam a ser atingidas por algo que as leva a cometer suicídio. O diretor aproveita isso para mostrar várias cenas chocantes e surreais muito bem executadas como a cena das pessoas enforcadas na árvore ou a cena do cara que se deita pra ser triturado por aquela coisa que parece um cortador de grama gigante.
Gostei bastante, hisória legal e vários momentos de muita tensão, apesar de algumas cenas desnecessárias e meio mal feitas tipo aquela do leão comendo o cara sendo exibida através de um aparelho que parecia um iPod Touch.
Mas pior do que essa cena foi a falta de cuidado da produção do filme em relação aos microfones. Tipo, aparecia o tempo todo o microfone que gravava a voz dos atores lá no alto da tela. Reparem só. Chegou um ponto que eu comecei a achar que os microfones faziam parte do filme, e que no final haveria uma explicação pra eles.

Os quatro persongens principais do filme: Mark Whalberg, a guriazinha que eu não sei o nome, Zooey Deschanel e o microfone, que por acaso não aparece nessa cena
Era tanto microfone que cheguei a me lembrar do clássico episódio do Chapolin conhecido como “Os documentos confidenciais”, no qual existem microfones ocultos por todo o cenário, e Chapolin Colorado deve achar eles. Nisso ele encontra um microfone até dentro de uma banana. No final temos a fantástica cena no qual polegar vermelho come os documentos confidenciais que estavam dentro de um bolo (ele com um pedaço do documento na língua é engraçadissímo). Pra quem não lembra do episódio assista aqui.
Eu li numa crítica da Isabela Boscov, a responsável pelas parte de cinema da revista Veja que o grande problema do diretor da terra de Dhalsim é que lhe falta humildade, no sentido de que não aceita que ninguém o ajude na direção, roteiro e produção (sim, eles faz essas três tarefas sozinho). Em suma, que ele tenta fazer tudo sozinho, e a falta de uma segunda opinião faz ele cometer alguns errinhos bobos de execução em seus filmes. Bom, depois de tantos microfones aparecendo, pode até ser que isso seja verdade.

















