Thursday, August 28th, 2008...8:22 am

A minha decepção com a história do filho pródigo

Antes de iniciar o post, uma introdução:

Lá na série de posts sobre religião que tá rolando n’A Grande Abóbora, a Fer Funchal comentou sobre o seu ódio em relação a história do filho pródigo da Bíblia. Ao ler isso, me identifiquei imediatamente, e precisei fazer esse post. Desculpa Fer por imitar sua idéia, mas foi preciso. Juro que linko o teu post sobre o filho pródigo se um dia tu escrever.

Fim da introdução.

Cursei meu primeiro grau (ou ensino fundamental) num colégio de freiras. Ou seja, aula de religião obrigatória, oração todos os dias, campanha da fraternidade, etc. Quando criança eu até gostava das aulas de religião porque era um descanso das aulas “sérias” como matemática, português e geografia (além do mais, era bem mais religiosa na época). Em geral, nas aulas tinham filmezinhos, músicas religiosas do padre Zezinho (o grande precursor do padre Marcelo), reflexões (ou seja, momento para dormir ou rezar), etc.

A maior parte das histórias que eu conheco da Bíblia eu conheci atráves desses filmezinhos que eu via na escola. Alguns eu gostei bastante até. A história das pragas que os egipcíos tiveram que aguentar era bem legal, a crucificação, a história de Dom Bosco (tá, eu sei que não tá na biblia, mas eu adorava ela), entre outras que eu nem lembro mais.

Mas teve uma que eu não gostei, e que me marcou: a história do filho pródigo.


É a imagem que apareceu no Google com a pesquisa filho+pródigo

Lembro até hoje. Um pai, dois filhos: um pródigo (sério? : P) e um bem comportado. A história começa com o filho comportado cuidando de suas ovelhinhas e tal, mas aí o filho pródigo pega todo o dinheiro e vai viajar, gastar com bebidas, mulheres, enfim, curtir a vida (irresponsavelmente). Só que óbvio que, a menos que você seja Bill Gates, um dia o dinheiro acaba. Nesse momento eu pensei: bem feito, que bonito, a Bíblia ensinando que quem é sem noção assim se dá mal ! Mas daí o filho pródigo volta pra casa como o cão arrependido (com suas orelhas fartas, o focinho caído, e o rabo entre as patas. Repete 14 vezes.). E o pai ao invés de dar uma lição de moral no cara, para minha surpresa, acolhe ele !!! Meu queijo caiu, que nem o do irmão do filho pródigo, coitadinho, perplexo, o ator que interpretou ele no filmezinho merecia no mínimo um Oscar. Daí o irmão do pródigo pergunta porque o pai foi tão legal com o mula do irmão, e o pai diz algo do tipo “temos que ajudar os que mais precisam, não os que não precisam, blá blá blá“. Decepção total. Eu sei que na real a história quis passar que o perdão é importante e tal, mas pô, nem uma puniçãozinha mínima no filho pródigo retardado? Nadinha? Ahhh, me poupem : P





9 Comments

  • Eu também acho que o pródigo deveria se ferrar antes do perdão.

  • Eu ficava indignada com a falta de lição de moral. Tentei usar essa história com meus pais, tipo, “perdoem” e tal, sem brigas nem nada, mas nem deu certo.
    Perdão é importante, mas ouvir umas boas também.

  • É o jeitinho brasileiro fazendo sucesso até na bíblia.

  • hahaha, com os pais não funciona, nem adianta : P

  • Pois é, é sempre assim. O que da raiva é que alguns pais doram usar a biblia como exemplo. Logo, vamos fazer festa e voltar com a maior cara de pau que ta tudo certo!

  • A quem interessar possa.

    Esta parábola (exemplificação) Jesus citou para que entendamos a situação do ser humano decaído e afastado de Deus pelo pecado (erro de todo ser humano), não se aplica a uma família em si literalmente, mas é uma alusão a quem decide se afastar da segurança e providência divina mesmo que seja essa segurança e providência com muita luta dificuldade e esforço, porém com a certeza de que tem alguém que se importa e cuida de nós. O filho pródigo só se tornou pródigo quando depois de acabar o dinheiro , e sentir-se humilhado ao desejar comer as “bolotas” (lavagem) dos porcos (o que para aos judeus era uma das maiores humilhações) então como dizia depois de tudo isso só se tornou pródigo quando arrependido e reconhecendo a besteira que fizera , voltou à casa do pai e reconhecendo toda sua atitude insensata, então o pai o recebeu alegre e deu uma festa. Assim é Deus que também os céus se alegram em festa quando uma alma se arrepende e volta-se pra Deus o Pai amoroso que o criou, pois Ele diz que lança no mar do esquecimento todos os pecados que o arrependido tenha cometido até aquele dia . Lembram de Maria Madalena? Jesus disse quando todos queriam apedrejá-la “Vai e não peques mais” reflitam sobre isso se possível reconsiderem.

  • meu querido se fossemos punidos pelos nossos erros, você já teria sido açoitado várias vezes, o perdão para ser liberado não depende de uma condição depende de quem perdoa, e saber perdoar sempre mostra que a pessoa que assim faz está num grau de evolução tão elevado, que os que estão ainda vivendo sob o comando da estupidez fique perplexo, mas eu tenho certeza que Deus já te perdoou por tua ignorância, e eu também. Só para finalizar, pode ter certeza que agente te poupa, só quem não vai te poupar é o diabo.

  • Já minha (mínima) decepção foi:
    O pai dividir suas riquezas econômicas pela metade com o filho que pediu, seno que também tinha outro filho, e se a situação se repetisse, então deste feito eu não gostei.
    Entretanto o mais >desagradávelhumilhou muito<. O que me leva a idéia de sociedade que não favorece a autonomia afetiva.
    E sobre o pai recebe o filho de braços abertos não significa em si que o pai permitirá o mesmo de antes ou que o filho não compreenderá o que fez e que não ajudará positivamente no futuro familiar , talvés o contrário.

  • Já minha (mínima) decepção foi:
    O pai dividir suas riquezas econômicas pela metade com o filho que pediu, seno que também tinha outro filho, e se a situação se repetisse, então deste feito eu não gostei.
    Entretanto o mais .desagradável. foi percebe que o tal filho ex-rebelde arrependido se .humilhou muito.. O que me leva a idéia de sociedade que não favorece a autonomia afetiva.
    E sobre o pai recebe o filho de braços abertos não significa em si que o pai permitirá o mesmo de antes ou que o filho não compreenderá o que fez e que não ajudará positivamente no futuro familiar , talvés o contrário.

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